Autoria: Nelsi Inês Urnau
“Escolhe, pois, a vida!” (CF 2008)
Aproxima-se outro Natal. Convém repensarmos o sentido desta festa que, com certeza, não está nos enfeites que o comércio ostenta desde que se encerram os festejos do Dia da Criança. Por isto, convido você a voltar à Páscoa, onde se festeja o re-nascimento, mais precisamente, ao lema da Campanha da Fraternidade: “Escolhe, pois, a vida!” (Dt 30,19).
Será que este assunto já se encerrou? Morreu na sexta-feira da Paixão? Talvez, sim, tenha morrido em alguma “Paixão” muito anterior. Pois, a modernidade quer negar natal a inúmeros inocentes. À falta dos presentes e da ceia, se sobrevive. À crueldade do aborto, não. É o natal que se nega ao mais indefeso, mesmo tendo as ciências já provado tratar-se de um SER HUMANO inteiro, vivo! Muito pior é, por este ser um ato definitivo, sem chance de reversão.
Num mundo que rejeita a pena de morte nos tribunais, é inaceitável que se admita a mesma praticada sobre uma mesa cirúrgica. Aborto é, entre os crimes hediondos, o mais abominável. Porque ocorre no silêncio da sociedade anestesiada pelas ideologias que pregam “meus direitos a qualquer custo”, porque a vítima desse crime é incapaz de fazer ouvir seu grito pedindo clemência. Que Direitos são esses de permitir a negação da vida à um inocente em prol de outro, irresponsável?
A Declaração Universal dos Direitos Humanos deixa claro: “Todos têm direito à vida desde o seu mais incipiente estado...” A constituição brasileira, artigo 5º, salienta que “é inviolável o direito à vida”. Portanto, a mulher tem direito ao seu corpo desde que não prejudique o feto, mesmo que o abrigue em si, pois, desde a concepção, este já se constitui em outro ser humano. Ainda que não houvesse outros métodos contraceptivos, os atos irresponsáveis deveriam ser compensados com o arcar das conseqüências. Mas, estes existem em profusão, e o erro de uns não se desfaz matando um ser inocente. Pelo contrário, acaba sendo cometido outro pior.
Miséria, traumas, nada justifica a descriminalização do aborto. Lutemos antes para combater as causas que geram tantas gestações indesejadas e/ou problemáticas. Quem sabe, se diminuirmos os apelos maciços de culto ao corpo e ao sexo como única fonte de prazer e felicidade, sobre um pouco de tempo e espaço para se resgatar a saúde física e mental, a dignidade do sexo e sentidos mais nobres para a felicidade.
Não há política social limpa derramando o sangue desses seres pulsando vida como cidadãos em formação. Não há religião (“religação”) com o Deus da vida por quem contra ela atenta em tal covarde posição de vantagem. E, mesmo entre as não-cristãs, não conheço religião ou filosofia que fundamente essa prática. Descriminalizar o aborto pode livrar mulheres e homens da cadeia, mas não de remorsos e conturbações psíquicas advindas de sua realização.
E é incrível que em nosso país que se diz cristão e democrático, dois deputados sejam punidos num partido que se dizia ético, por lutarem pela vida e trabalharem para desbaratar tal cultura de morte, de covardes assassinatos! Pior ainda, patrocinar a prática do aborto com dinheiro público é pretender impor tal ignomínia a todo cidadão, mesmo que seja contra seus princípios. Talvez Hitler e seus assemelhados, em sua insanidade moral aplaudissem essa idéia.
O aborto é crime igual aos que chocam a opinião pública nos noticiários: são Isabellas, não jogadas pela janela, mas na lata de lixo de uma clínica ou hospital, antes mesmo que possam chorar e implorar “Pára, pai!” ou Pára, mãe!”. Quem se horroriza perante tais fatos, não pode ser favorável ao aborto em que um bebê é esquartejado, envenenado ou sugado ainda dentro do útero. Por que os defensores do aborto não mostram os terríveis processos de execução desse crime hediondo?
Enfim, que este Natal, festa do nascimento do Cristo gerado em forma humana, nos lembre que nosso primeiro compromisso é possibilitar que a vida humana concebida, possa nascer. Ou então, o que será o Natal? Com que coração e dignidade festejaremos esta data?







