PURO AMOR, Milamarian

No silêncio das orvalhadas trilhas, naquele amanhecer
viram-se almas cúmplices e caladas em passos lentos a caminhar
enveredando-se em luminosos caminhos, em brumas a desaparecer
apenas vultos, entre as sombras do destino, num sonho a desbravar.

Mergulharam em sendas de fantasias até cair o entardecer
em profundas emoções adormeceram, embevecidas pela paixão
sem qualquer rumo, não tinham destino, nem tampouco direção
no delineio das folhas outonais, eram apenas manchas a esvaecer.

Amaram e entregaram-se ao devaneio naquele pôr-do-sol
na transparência do sublime sentimento, o mar tragou o céu
entre os ramos das cerejeiras, cantou mais alto o rouxinol.

A mais linda estrela do firmamento, reluziu em todo o esplendor
e a lua surgiu detrás da serra, deitando sobre a terra o seu nobre véu
lançando em gotas espelhadas, sobre as almas, o reflexo do puro amor.

Japão
17.04.2006

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