SONETO AOS ANIMAIS, Jorge Humberto

Na languidez da tarde, as aves regressam
A seus ninhos, numa algazarra saudável,
Não há céus neste mundo que as impeçam,
De uma noite bem dormida e inevitável.

Mas primeiro alimentam os ternos nascituros,
Que escancaram a goela com certa avidez,
Não vão os pais esquecerem-se dos turnos,
Com que os alimentam uma e outra vez.

Cai a noite e tudo é silêncio, só os gatos pardos
Se parecem com silhuetas, de grandes leopardos,
Quando atravessam os muros em sua altivez.

Que seria de nós se não houvesse animais
Que contemplar, seríamos nós esses tais,
Sozinhos mais a nossa insana insensatez.

Jorge Humberto
15/04/07

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