Na profunda miséria de um hospital,
Confrontadas paredes e recantos fúteis,
Conheci o ser mais dócil e consensual,
Lembrando quão frágil é o animal
E do homem os esforços sempre inúteis,
Que, até ao dia de hoje, no mundo dos úteis
E descartáveis, me foi dado ver, tão natural
Como a sede, nos gestos mais dúcteis,
Em comparação com seus opostos,
Reais, imaginários, ocultos ou expostos.
E embora alheio a tudo, nesse mundo,
Tão só seu, era vê-la a sorrir, e sorrindo
dizia, no caminho que ia abrindo,
Às gentes do seu universo mais profundo.
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