Que foi que fiz comigo, outra e outra vez,
Que não mais vejo o sol, a brisa esqueceu
E até aquele sorriso, que era assim, tão meu,
Foi que se entristeceu, no branco de tua tez.
Ah, veneno, quem é que assim te fez,
Inoportuno, uma outra vez, quando foi teu
O desassossego e, logo em mim, se perdeu,
Como da perseverança, a primeira vez.
Regressei de um passado longínquo,
Não tenho raízes, tã pouco tenho pátria,
Sou só aquele algo de iníquo,
Que, desdenhando da sorte e do amor,
Não soube amar-se – ó alma, mátria! –
E por te amar, mulher, trouxe-te à dor.
Jorge Humberto
(22/12/04)
In vinte Sonetos de Vida
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