ESPERA, Antonio Kleber

Late o cão na madrugada
carregada
de mistério e podridão
Range o trinco bate a porta
são fantasmas
remexendo a solidão
Sinto o cérebro falhando
fraquejando
seus neurônios já se vão

Há serpente enrodilhada
eriçada
sob os pés sem movimento
Chegam sombras outonais
em rituais
de macabros rompimentos
A emoção que mais reluz
se traduz
no mais duro sofrimento

Dou-me ao tempo de chegada
na jornada
que tão pouco me rendeu
Sinto a noite mais escura
da amargura
sentindo a dor no apogeu
Cessa a busca agora é espera
que incinera
a esperança que morreu

(Do livro QUARENTA SONETOS SEM PECADOS, Editora Zem)

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