MURMÚRIO, Antonio Kleber

Ouço o murmúrio tênue que me traz a brisa
E me entorpeço todo com a saudade intensa
dos bons momentos que passei, das desavenças,
do amor vibrante, às vezes quente, e até das brigas!

Ouço o murmúrio brando na alma entristecida
e faço aberto o livro inteiro da saudade.
E então pergunto: “Quantas, quantas foram as tardes
de intenso ardor que dediquei e que ainda existe?”

Ouço o murmúrio que me chega quase em vão,
Um reclamar plangente, assaz doído, intenso
Um lamentar choroso a me pedir perdão

Ouço o murmúrio e lhe respondo: “Não venço
neste meu corpo o entusiasmo e a vibração,
pela mulher que, num murmúrio, me deixou.”

(Do livro QUARENTA SONETOS SEM PECADOS, Editora Zem)

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