Era barro a moça prostrada sob viços
dava seios à nudeza
às abelhas vorazes
Deitei pão e vinho
mostrei pássaros e sonhos
Minha alma era crua
ingênuo meu desejo
Pedi sorte à terra
venerei sementes e nuvens
pedi trigais e ventre amigo.
Moça dispersa pés nus lábios mudos
cabelos esquecidos em madeixas
estigmas esvoaçantes em milharal ilusório
Minhas mãos foram canteiros
guardaram tempo de brotação
Calos feridas lembranças
ah, passado morto
Chegara tempo de cio
brisas transformadas em vozes
chuva rendida à sede da terra
manhã serenada ao mugido/milagre
A moça fechou os olhos e rezou
os seios pulsaram tensos
a alma ardia
O barro virou corpo
pele aveludada
Suspiros levaram-me a deitar
ao lado do cereal-vida
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