Quero cantar a vida para ti,
Sob o lábaro feito de crepom.
Tire a sua roupa, como pedi,
E dance ao som do meu bandoleon.
Não se intimide com o meu belo som.
Apenas esvoace a cabeleira...
Sob o meu olhar, te descubro arteira,
Possuída por certa maldição!
Preciso de ti, sem eira nem beira:
Selvagem cachoeira em minha mão.
O céu, de um matutino bem-te-vi,
Brilha como um imenso anúncio em néon.
Teu rosto, como o sol, quando sorri,
Clareia a minha alma cor marrom.
Estampe-me o rosto com batom
E entregue-te ao calor da fogueira.
Morrerei contigo a manhã inteira...
Entorpecido por nossa paixão!
És d’uma’alma louca, que me amaneira,
Selvagem cachoeira em minha mão.
As baladas ciganas que vivi,
Noutras paragens, em um passado bom,
Não são como as sendas que sofro aqui.
Sigo vencendo as batalhas no front,
Nas noites poéticas do Leblon;
A desvendar a mulher brasileira,
Progenitora da dor verdadeira,
Que em mim carrego nesta encarnação!
De todas as mulheres, és primeira:
Selvagem cachoeira em minha mão.
OFERTÓRIO
Na estrada, liberdade e poeira,
Da paixão, a tristeza é derradeira.
Viva o canto funesto da prisão:
Eterno senhor dessa prisioneira,
Selvagem cachoeira em minha mão
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