Os peixes do meu aquário bateram asas.
Ingratos!
De tudo, nada valeu.
Não valeram o oxigênio,
as algas,
a água que lhes forjei.
Em tempo tão exíguo, o amor que lhes dediquei.
Tudo valeu muito pouco.
Não valeu o raro dinheiro que lhes paguei.
Não valeu a caverna translúcida –
a morada azul onde os abriguei.
De tudo, muito pouco valeu.
Os peixes bateram asas
e agora esperam que eu me afogue
neste aquário de ilusões.
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