Não discuto o sexo dos poemas
nem a vacância de mensagens
muito menos dicções ou mitologias
eles se bastam com arestas
multiplicando zeros e infinitos
não discuto a vertente das poesias
que de si mesmas são distintas
o ritual, a consciência, o melódico
tudo isso são cincerros e egos
questionários, renúncias, pertencimentos
não discuto o simbolismo dos poemas
que por si só podem ter ícones
não quero rótulos, escolas, sachês
e sim rupturas com a sintaxe
técnicas de aproximação, mixórdias
não discuto a lírica das poesias
nem códigos, modismos, planos
quero repertórios de niilismos
e o plano da existência táctil
como réptil com asas, mimetismo
não discuto a lógica dos poemas
quero pluralidades de pedras
o neobarroco, os vetores chaves
são enguias sistêmicas e fazem
do poeta um cacto de bruxo
não quero a vanguarda das poesias
mas elas em si mesmas cibalenas
núcleos, encantários e enzimas
safra de paradoxos críticos
técnica de vernizes diversos
não discuto a poesia no poema
sou um clandestino com lúpus
a lepra de ser-me - sentença
angústia-vívere; roca & singer
baladas de incêndios, odes instintais.
Poeta, Silas Corrêa Leite – Da Estância Boêmia de Itararé-SP
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site pessoal: http://www.itarare.com.br/silas.htm
E-book ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site
http://www.hotbook.com.br/rom01scl.htm
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