ENQUANTO A VIDA PASSA, Sérgio Ildefonso

Uma soberana vontade de vida me apalpa e me engana
Quando me entrego ao que me entregam
E me desfaço no que me fizeram
E convalido pelas dores do dia,
Martirizo minhas vontades e
Não contesto
Aceito
Açoito
A seres
Cedes completamente como queiram
Cedes indiferente e seres nada
Cedes vago e
Cedes bom
Seres inúteis
Que consignam a sorte
Que descombinam os pactos
Que desdenham da ordem
Seres que me fazem ser igual à coisa alguma
Pois em coisa alguma se tornaram
Pois em coisa alguma creram
E por coisa alguma choram
E quando por muito
Por nada morrem...

Sérgio Ildefonso 25.04.2007
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