TEMPESTADE - Sandra Britto

Poema de Sandra Brito publicado a pedido de Antônio Siqueira para homenagear a autora, por quem nosso amigo tem grande admiração. Parabéns pela homenagem, Sandra.

Tempestade

Cair da tarde, e se multiplicam as sombras.
Como os desejos que foram semeados por todo o dia, afloram-se.

O prenúncio de uma tempestade
Será que a chuva cai, ou o vento a levará?

A terra está sedenta

Meus olhares vêm deslizando pelo teu corpo como se fossem minhas mãos
Despindo-te aos poucos, descobrindo-te sem tua permissão.

Quero-te, sem tempero, sem tempo.

Dentro das múltiplas possibilidades desta tarde
Tens um encontro, gostaria que fosse comigo!

Nossos olhares se cruzam tantas vezes,

Encontros e desencontros

Torna-se certo na vida aquilo que era incerto pela concretitude do momento liberado pelo desejo incontido,
Abstrair da existência o arriscar as palavras e as coisas.

Tornar a noite um eterno sonho realizável.
E a vida possível.

por Sandra Britto

Palavras de Antonio Siqueira:
"a admiração pelo trabalho dela é inabalável"

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