poema de amor, Sandra Bonadeus

amor é fogo que apaga fogo, ilusão que a ninguém ilude
alegria, quando chega, anuncia que atrás vem dor
e a dor tem seu odor, excremento de pessoa aguada
a alma repleta de nadas, o coração nada em sede distraído:
– Dai-me um copo do teu corpo, quero viver morrendo afogada!
a poesia não garantiu a eternidade do meu céu
la nave que não vá, fique em mim, em ti preciso repousar
odor sem perfume – as flores que sem ti.

poema de amor escrito à mão, não terminei, nunca reli
só me alcancei depois do fim, nasci depois que o autor morreu
desoriente, nenhum destino a mim traçado, nenhuma lua a me guiar
segui teus versos na corda bamba, atravessei descalça a rua
ponte dos olhos teus nos meus, trilha onde passo e me desfaço
amor ascende, é fogo quando chamas
por amar a criatura, sucumbi em bon'adeus
pelo amor da criatura, meu coração revive o teu

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