Minha febre de ti, Mano Freire

Gelo fervente és tu,
odeio o teu gélido olhar,
mas se somente te olho
um desejo me passa nas veias,
és a minha febre, vivo de ti.

Gelo fervente és tu,
e nos teus olhos de gelo
esgueiram as flamas no céu
como faíscas de sol sobre a neve,
és a minha febre, vivo de ti.

Porque és fria como uma estátua,
imóvel e distante,
ardente como um corpo que treme
e que te chama,
tu és assim.

Gelo fervente és tu,
és como um sopro de neblina,
uma atmosfera que inebria,
e preciso de ti,
somente de ti.

E preciso de ti,
somente de ti.
Tu me pertences,
tu me envenenas,
mas és a vida para mim.

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