"As frases desfeitas se embolam na língua
Entoam as frases feitas os homens sem língua
Sem língua, idéias ou ideais
São eternos funerais nas frases dos tais
Homens que passam, e apenas passam
– não há porque ficar, homens sem língua –
E por falar na frase, e por mover a língua
Penso em sugar a tua língua primeiro
Tuas frases eu já conheço
E as que não conheço posso ouvir depois
Prefiro pensar na tua língua
Rezo pela tua língua
Quem sabe tua língua me lambe
Quem sabe entoa o meu nome
E as frases refeitas por nós permanecem, nossas,
Fiéis às idéias, fiéis à nossa língua,
Que já provamos,
Não fazemos parte de tudo o que passa
Até porque não passamos
Ficamos porque temos língua."
(TRÊS ROSAS VERMELHAS - O Registro Poético de Uma Bruxa®,
Lydia Gomes de Arddhu e Brigit. Todos os direitos reservados)
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Áudio-book A CORUJA E O CORVO
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