Saindo do barraco bem cedo
á procura e emprego, levou
aforça do meu amor, minha fé.
No ultimo anúncio marcado,
mente e corpo abalados,
pela má aparência rejeitado, deixou
que vissem seus olhos pela fome
bem fundo escavado, que vissem
o carapinha emarenhado, deixou
o suor fazendo da face negra
um ébano vitrificado
mas não deixou
que lhe vissem o medo
comum a que vive a síndrome do desemprego
não deixou que lhe vissem
o velho medo porque é da certeza
que existe o medo em nós é que
o buirgues racista faz do humano dócil escravo
um inimigo finalmente vencido
depois que de sua humanidade
ele mesmo já havia se esquecido.
Saindo do barraro bem cedo
á procura de emprego levou
a força do meu amor, minha fé
deixou um beijo gostoso de Colgate
e café saboroso feito mel
voltou a noite trazendo
um beijo mau gosto de calda de cana
e pastel amargoso feito fél.
Ah, a insegurança do amanhã
de todos, do tudo, ah seu velho medo
desuaguado em lágrimas no regaço
do meu colo, chorado em segredo.,
longe do olhar racista do senhor burgues
dono e senhor dos empregos
Ah, esse imenso desejo que
seu velho medo se transforme
com o axé do meu amor, minha fé
na minha, na sua, na nossa nova e indestrutivel
coragem libertária do amanhã.
Deley de Acari
Poeta e Animador Cultural.
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