Quando te cavalgo
sou amazona selvagem
que te tendo, te deixa ser.
Meu carapinha, te lanhando
peito e rosto, não é chicote.
É do Cometa-Amor
que existe em mim
negras e reluzentes
caldas múltiplas que
orvalham meu suor acre-salgado,
embebendo teus lábios de meu sumo.
Suor-bálsamo-que lene,
das feridas de me amar
que se abrem em tí, a dor com o prazer
que o me sorver te alucina.
Do ir e vir
do sexo no sexo,
no ir e vir
é nosso ir.
Para o êxtase da chegada,
não somos
cavalo e amazona,
mas sim um só caminho.
Quando erupe o vulcâo,
que é nosso amor
esvai-se por minha garganta
peluda em carne viva
nossas lavas flamenjantes,
calcinando nossos ventres
e nossas coxas.
Descamçamos do descanço
que é o fazer amor
quando se ama.
Na esteira, semi-inconscientes,
nem somos neste momento,
um e outro, macho e fêmea
nem nos sentimos um e outro
homem e mulher...
De tanto nos sentirmos sermos
um e outro ao mesmo tempo.
Ainda embriagados de orgasmo,
ansiados nos esperançamos
que este ao mesmo tempo,
essa embriaguez divina
seja sempre.
Deley de Acari
Poeta e Animador Cultural.
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