ABANDONO, Celia Jardim

Se um dia a solidão for sua única companhia
e abandonado em seu quarto de mim se lembrar
hás de compreender o amor que recebeu um dia
e que friamente julgou ser pequeno para guardar

Neste momento a dor parecerá dilacerar seu coração
sentirá um frio que nada pode agasalhar
seus pensamentos viajarão em cada recordação
e conhecerá a solidão de quem não soube cativar

Hoje envolto em suas tantas paixões passageiras
não pode ver o que tem de mais valor
nesta vida de boêmio sem estribeiras
vai acumulando passatempos, ilusões e dissabor

Que na solidão em que se encontrar um dia
não seja esmagado pelo desespero e a dor
sufoquei meu amor e te deixo a revelia
desejando que sobreviva, porque sempre será o meu amor

Célia Jardim

Blog da autora: Célia Jardim Poesias.

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