para Ademir Bacca
meu irmão de poesia e vibração
vinho é tudo quanto bebo
tinto branco branco tinto
especialmente o brasileiro
das cantinas das colônias
das uvas finas de Bento
bebida de zeus e de baco
deuses do olimpo e do sacro
líquido com que me alimento
em festa e consagração
qual uma doce eucaristia
em comunhão feito missa
a celebrar poesia
da uva a seiva o fermento
o sagrado tempo da cura
até os lábios no cálice
sorver a santa doçura
na língua e no pensamento
vinho eu bebo rezando
em juras de amor ao momento
de olhos sorrindo pros céus
benditas mãos sejam tantas
as que trabalham os vinhedos
e sabem do fruto o sagrado
colher o milagre entre os dedos
Artur Gomes
http://arturgomes.zip.net
http://www.almadepoeta.com/fulinaima.htm
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