Acordei tarde aos teus apelos, muito tarde!
Hoje a saudade rasga minha alma ponto a ponto
- vento minuano, tempo rude onde me apronto
para pedir que uma outra vida não retarde! -
Não há mais esperança; os sonhos se esfumaram.
Toda ânsia agora é cinza fria, é coisa morta.
Das muitas dores que sofri, eis o que importa:
foram de ardência as dores tantas que encantaram!
O amor não resolvido, sinto, é uma loucura.
Simultâneo ao desejo forte de esquecê-lo,
ressumbra o de voltar, sem pejo, a revivê-lo!
Mas eu lavrei a minha a própria desventura,
desatendendo ao teu clamor - que acerba agrura!-
olvidando tratar-te, amor, com meus desvelos!
(Do livro TUNA, no prelo. Leia “Quarenta Sonetos Sem Pecados”, poesias, Editora Zem – RJ – 2007)
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