Há transeuntes sem ouvidos
sem sentidos
para toda a dor do mundo
Indiferentes à lama
que proclama
o existir mais imundo
sequer lhes move a ameaça
da desgraça
crescente no submundo
O contingente banido
de excluídos
chora em canto lamentoso
O governo e a sociedade
de caridade
dão-lhe o leito tormentoso
da calçada e do viaduto
Bom conduto
para um futuro brumoso
Hoje são alguns milhares
os olhares
dos menos aquilatados
O amanhã que se avizinha
já aporrinha
sobremaneira o abastado
Caso persista o desprezo
tão aceso
todos serão desgraçados
(Do livro TUNA, no prelo)
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