Que vida tive em todos esses anos,
enclausurado em dores de saudade,
ao jugo da esperança sem alardes
a impetrar-me ilusões e desenganos?
Neste outono, de que me ufano agora,
se a augusta primavera dos encontros
rendeu-me amargas dores, desencontros,
desabrigando o amor que me devora?
Restaram-me o vazio e a solidão;
sequer lembrança boba vicejou,
à sorte de alentar-me em alguns sonhos.
Talvez, de ganho, eu herde a compaixão
da mulher insensível que enlutou
as horas dos meus dias enfadonhos!
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