Sobra cinza sob os pés
depois do caos da tensão
enquanto o rio se rende
ao desnudar das folhagens
Vence o arbusto esturricado
e o pesadelo dos homens
enquanto chora o menino
sobre os trastes das memórias
entremoitadas no tempo
As taperas estão vivas
no coração dos sertões
bombeando sangue imortal
das tragédias repetidas
Ninguém se atreve a enfrentar
os mortos-vivos dos pátios
porque seus olhos já viram
encarniçados combates
sem vencedor ou vencido
Ninguém consegue ninguém
vencer as forças antigas
acumuladas nos homens
que se alimentam de fel
(Leia QUARENTA SONETOS SEM PECADOS – Editora Zen – Rio – 2007.)
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