Elegias

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Elegia

Uma elegia é um poema de tom terno e triste. Geralmente é uma lamentação pelo falecimento de um personagem público ou um ser querido. Vale ressaltar que na elegia também há digressões moralizantes destinadas a ajudar ouvintes ou leitores a suportar momentos difíceis. Por extensão, designa toda reflexão poética sobre a morte.

Uma elegia de Versos & Acordes

Não nasceu uma elegia perfeita no momento em que eu tentava montar algum exemplo, mas o texto serve para mostrar o sentido da elegia. Tem alguma elegia para pôr nesta página? Entre em contato.

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A Viúva

Foi-se cedo demais, tão de repente que ela ainda não caíra em si com o fato.
No porta-retrato em cima do piano ele ainda lhe sorri provocando arrepios.
Nota o cinzeiro usado provocando desarmonia no verniz.
Apressa-se em retirá-lo antes que o vento espalhasse as cinzas do cigarro
pela superfície do instrumento musical que tantos bons momentos lhe trouxera com ele.
Ele. Não haveria mais ele ao piano.
Anda pela casa como se a visse pela primeira vez.
No cesto de roupa suja via a manga fugidia de uma camisa masculina.
Os braços que a preencheram da última vez já não serviriam.
Que braços lhe preencheriam esse vazio?
Teria que decidir sobre as roupas, o que fazer com elas?
Um asilo? Um parente infortunado?
Podia ouvi-lo apertando a embalagem do desodorante recém-comprado
sobrepujando o cheiro da mirra do incenso.
A panela no fogão com a sua comida preferida.
Estragada. Virou lixo.
Quanta coisa mais teria que jogar no lixo?
Sua vida parecia uma grande lata de lixo.
Parou na porta do quarto deles.
Na mesinha ao lado um jornal amassado,
do outro lado, no chão, um roupão embolado.
Na cama, lençóis denunciavam o ato de amor.
O seu amor! Porque te fostes de mim tão repentinamente?
A dor da sua perda começava a penetrá-la nesse instante, implacavelmente, deixando seu corpo pelo avesso.
Pontadas, latejadas, cortadas, facadas, agulhadas. Vinham por todos os lados em intensidades cruéis.
O aperto no peito, o nó na garganta, o derrame de lágrimas que lhe banhavam a face, as pernas sem forças, o vácuo no peito.
Gritava e soluçava sentindo o grito do desespero descarregado naquele choro incontido, sentada no chão, num canto da sala escura.
Por quanto tempo chorara, não sabia.
Esta noite não teria jantar, dormiria sozinha e assim acordaria para passar seus futuros dias: sozinha.
Grande parte de si, fora-se com ele.
A pequena parte que ficara venceria a dor. Não desistiria dos projetos que fizeram juntos.
A dor já não era tão cruel, conhecia-lhe o significado de seus preâmbulos.
Reagiria a todos.
Por algum milagre, estava em paz. Sentia a presença dele.
Sobreviveria e seria feliz. Por eles.

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