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Uso do hífen no Novo Acordo Ortográfico

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A regra geral será a utilização do hífen na maior parte das vezes. O acordo prevê, basicamente, alguns casos em que o sinal poderá ser suprimido. A maior parte deles quando as palavras são compostas por prefixos (como "mini", "micro", "co" e "extra").

Não se usará mais:


1. O prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista".


2. O prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. O hífen some. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada", "autoajuda", "infraestrutura".

3.  Prefixo terminando com "R" ou "S" e segundo elemento começando com a mesma letra. Mantenha o hífen. Exemplos: "super-resistência", "inter-relacionamentos".

Ponto de dúvida

A regra geral será a utilização do hífen na maior parte das vezes. O acordo prevê, basicamente, alguns casos em que o sinal poderá ser suprimido. A maior parte deles quando as palavras são compostas por prefixos (como "mini", "micro", "co" e "extra").

A regra diz que devem ser aglutinados nos casos em que o primeiro elemento terminar em vogal e o segundo elemento começar em "r" ou "s", dobrando-se a consoante, como em "minissaia" e "microrradiografia". No caso em que o primeiro elemento termina em vogal e o segundo começa com uma vogal diferente, a palavra também deve ser escrita sem o hífen, como "coeducação" e "hidroelétrico".

No caso de termos compostos de duas palavras, a tendência é continuar valendo a regra atual, segundo Godofredo de Oliveira Neto, presidente da Colip (Comissão para Definição da Política de Ensino-Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa). "Quando a palavra for formada por substantivo, adjetivo, numeral ou verbo, terá hífen", afirma.

Assim, o sinal será utilizado mesmo em palavras como "porta-retrato" e "primeiro-sargento", apesar de as novas regras dizerem que quando o primeiro elemento termina em vogal e o segundo começa "r" ou "s" a consoante deva ser dobrada, como em "antissemita" e "ultrarrápido" (como passarão a ser escritas as palavras após a vigência do acordo)".

Fonte: Folha On-line, Ponto de dúvida.

O que diz o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, publicado pela ABL, sobre o emprego do HÍFEN com o Novo Acordo Ortográfico:

Emprego do Hífen

 

 

A – Nos compostos

 

 

Emprega-se o hífen nos compostos sem elemento de ligação quando o 1º termo, por extenso ou reduzido, está representado por forma substantiva, adjetiva, numeral ou verbal:

ano-luz, arcebispo-bispo, boa-fé, decreto-lei, és-sueste, joão-ninguém, luso-africano, mesa-redonda, porta-aviões, porta-retrato, primeiro-ministro, tenente-coronel, vaga-lume.

 

Obs.: com o passar do tempo, alguns compostos perderam em certa medida, a noção de composição. Passaram a se escrever aglutinadamente: girassol, madressilva, pontapé, mandachuva, paraquedas, paraquedistas e afins, paraquedismo, paraquedista.

 

Serão hifenizados elementos repetidos, com ou sem alternância vocálica ou consonântica, do tipo blá-blá-blá, reco-reco, lenga-lenga, zum-zum, zás-trás, zigue-zague, pingue-pongue, tico-tico, trouxe-mouche.

 

Obs.: serão escritos com hífen os compostos entre cujos elementos há o emprego do apóstrofo: mestre-d'armas, mãe-d'água, olho-d'água.

 

Emprega-se o hífen nos compostos sem elemento de ligação quando o elemento está representado pelas formas aquém, além, recém, bem e sem:

além-mar, aquém-mar, bem-aventurado, bem-criado, bem-ditoso, bem-estar, bem-humorado, recém-casado, recém-eleito, sem-cerimônia, sem-número, sem-vergonha.

 

Obs.: em muitos compostos o advérbio bem aparece aglutinado ao segundo elemento, quer este tenha ou não a vida à parte: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença e afins: benfeitoria, benquisto, benquerer, benquistar.

 

Emprega-se o hífen nos compostos sem elemento de ligação quando o 1º elemento está representado pela forma mal e o 2º elemento começa por vogal, h ou l:

mal-estar, mal-humorado, mal-afortunado, mal-limpo.

 

Obs.: quando mal se aplica a doença, grafa-se com hífen: mal-francês (= sífilis)

 

Emprega-se hífen nos nomes geográficos compostos pelas formas grã, grão, ou por forma verbal ou, ainda, naqueles ligados por artigos:

Abre-Campo, Baía-de-Todos-os-Santos, Grã-Bretanha, Grão-Pará, Trás-os-Montes

 

Obs.: os outros nomes geográficos compostos escrevem-se com os elementos separados, sem o hífen: América do Sul, Belo Horizonte, Cabo Verde. O topônimo Guiné-Bissau é, contudo, uma exceção consagrada pelo uso.

 

Serão hifenizados os gentílicos derivados de topônimos compostos grafados ou não com elementos de ligação: belo-horizontino, mato-grossense-do-sul.

 

Emprega-se o hífen nos compostos que designam espécies botânicas, zoológicas e afins, estejam ou não ligados por preposição ou qualquer outro elemento:

abóbora-menina, bem-me-quer (mas malmequer), bênção-de-deus, couve-flor, erva-doce,

erva-do-chá, ervilha-de-cheiro, fava-de-santo-inácio, feijão-verde.

 

Obs.: os compostos que designam espécies botânicas e zoológicas grafados com hífen pela norma acima não serão hifenizados quando tiverem aplicação diferente dessas espécies: bola-de-neve (arbusto europeu) e bola de neve (aquilo que toma vulto rapidamente).

 

 

B - Nas locuções

 

 

Não se emprega o hífen nas locuções, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, salvo algumas exceções já consagradas pelo uso (como é o caso de água-de-colônia, arco-da-velha, côr-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa).

 

Sirvam-se, pois, de exemplo sem hífen as seguintes locuções:

a) substantivas: cão de guarda, fim de semana, sala de jantar, pau a pique, alma danada, boca de fogo, burro de carga, juiz de paz, oficial de dia, general de divisão, folha de flandres, camisa de vênus, ponto e vírgula, calcanhar de aquiles, fogo de santelmo, cafundó de judas, arco e flecha, comum de dois.

b) adjetivas: cor de açafrão, cor de café com leite, cor de vinho, à toa, sem fim (dúvidas sem fim), às direitas (pessoas às direitas), tuta e meia.

c) pronominais: cada um, ele próprio, nós mesmos, quem quer que seja.

d) adverbiais: à parte (note-se o substantivo aparte), à vontade, de mais (locução que se contrapõe a de menos; note-se demais, advérbio, conjunção etc.), depois de amanhã, em cima, por isso, à toa, tão somente, a olhos vistos, de repente.

e) prepositivas: abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, a par de, à parte de, apesar de, aquando de, debaixo de, enquanto a, por baixo de, por cima de, quanto a.

 

f) conjuncionais: a fim de que, ao passo que, contanto que, logo que, por conseguinte, visto que.

Obs.: Expressões com valor de substantivo, do tipo de deus nos acuda, salve-se quem puder, um faz de contas, um disse me disse, um maria vai com as outras (sem vontade própria ou teleguiado), bumba meu boi, tomara que caia. Pelo espírito do Acordo, tais unidades fraseológicas devem ser grafadas sem hífen.

Da mesma forma são usadas sem hífen locuções como: à toa (adjetivo e advérbio), arco e flecha, calcanhar de quiles, general de divisão, tão somente, ponto e vírgula.

 

 

C – Nas formações com prefixos

 

 

Emprega-se o hífen quando o primeiro elemento termina por vogal igual à que inicia o segundo elemento:

anti-ibérico, eletro-ótica, arqui-inteligente, semi-interno, auto-observação, sobre-estimar, contra-almirante.

 

Obs.: incluem-se neste princípio geral os prefixos e elementos antepositivos terminados por vogal, do tipo de: euro-, agro- ('terra'), albi-, ante-, anti-, auto-, bi-, beta-, bio-, infra-, iso-, poli-, pseudo-, antero-, infero-, intero-, postero-, supero-, neuro-, orto-.

 

Se o primeiro elemento terminar por vogal diferente daquela que inicia o segundo elemento, escreve-se junto, sem hífen: aeroespacial, agroindustrial, anteaurora, antiaéreo.

 

Nas formações com os prefixos co-, pro-, pre- e re-, estes se aglutinam, em geral, com o segundo elemento, mesmo quando iniciado por o ou e: coautor, coedição, procônsul, preeleito, reeleição, coabitar, coerdeiro.

 

Quando o 1º elemento termina por consoante igual à que se inicia o segundo elemento:

ad-digital, hiper-requintado, sub-barrocal.

 

Quando o 1º elemento termina acentuado graficamente: pós-, pré-, pró-:

pós-graduação, pré-escolar, pré-história, pró-ativo, pró-europeu.

 

Quando o primeiro elemento termina por -m ou -n e o segundo elemento começa por vogal, h, m, n:

circum-escolar, pan-americano, pan-mágico, pan-negritude.

 

Quando o 1º elemento é um dos prefixos ex- (anterioridade ou cessação), sota-, soto-, vice-. vizo-:

ex-almirante, sota-almirante, sota-capitão, soto-pôr (mas sobrepor), vice-reitor.

 

Quando o 1º elemento termina por vogal, sob-, sub- e prefixos terminados em -r (hiper, super e inter) e o 2º elemento se inicia por h-:

adreno-hipófise, bio-histórico, deca-hidratado, poli-hidrite, sub-hepático, sub-humano, super-homem.

 

Obs.: nos casos em que não houver perda do som da vogal final do 1º elemento, e o elemento seguinte começar com h, serão usadas as duas formas gráficas: carbo-hidrato e carboidrato,

zoo-hematita e zooematita. Já quando houver perda do som da vogal do 1º elemento, consideramos que a grafia consagrada deve ser mantida: cloridrato, colidria, clorídrico, quinidrona, sulfidrila, xilarmônica, xilarmônico. Devem ficar como estão as palavras que já são de uso consagrado, como reidratar, reumanizar, reabituar, reabitar, reabilitar, reaver.

 

Não se emprega o hífen com prefixos des- e in- quando o 2º elemento perde o h inicial: desumano, desumidificar, inábil, inumano etc.

 

Não se emprega o hífen com a palavra não com função prefixal: não agressão, não alinhado, não violência, não participação, não beligerante.

 

Quando o 1º elemento termina por b- (ab-, ob- sob-, sub-), d- (ad-) e o segundo elemento começa por b e r:

ad-renal, ad-referendar, ab-rupto, sub-reitor, sub-bar, sub-réptil, sub-bélico, sub-bosque, sub-rogar, sob-rogar.

 

Obs.: adrenalina, adrenalite e afins já são exceções consagradas pelo uso. Ab-rupto é preferível a abrupto.

 

10º Quando o primeiro elemento termina por vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas duas consoantes duplicar-se, prática já generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos domínio científico e técnico:

antessala, antirreligioso, contrarregra, cosseno, minissaia.

 

 

D – Nas formações com sufixo

 

 

Emprega-se hífen apenas aos vocábulos terminados pelos sufixos de origem tupi-guarani -açu, -guaçu, -mirim, quando o primeiro elemento termina por vogal acentuada graficamente ou quando a pronúncia exige a distinção gráfica dos dois elementos:

amoré-guaçu, anafá-mirim, andá-açu, capim-açu, Ceará-Mirim.

 

 

 

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