Acorda a corda
do violão que discorda
e se nega a ficar afinada,
harmonizada às outras cordas
e por tanta e insistente teimosia,
impede que se faça a melodia
que a poesia precisa e pretende
para enaltecer em nós o amor.
Acorda o verso
que sonâmbulo se fez desconexo,
embaralhado dentro do tema,
a gargalhar na hora do pranto
e a ironizar com o desencanto,
pois não foi tão bom nem tanto,
melhor então que acabou!
Acorda a lágrima
que sonolenta entalou na garganta
sob o pretexto de matar-nos a sede,
lágrima salgada e desencontrada,
só aumenta a secura que estamos
e não revela o dor que ficou.
Acorda o sonho
que por instantes virou pesadelo,
de sombrias e insanas imagens,
sentimentos transformados em miragens,
coisas sem sentido, bobagens,
histórias de um poeta bem tolo,
obsedado pelo desamor.
Acorda os olhos
veja o que a vida ensina,
expulsa do quarto a neblina
e assim rebelado reafirma
que coração de poeta é mais forte
resiste ao desalento e a morte,
para que com raiva se escreva
um poema de amor
ao muito que nos restou.
Blog do Escritor: http://naldovelhopoesia.blogspot.com/
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