JORNAL DO BRASIL - 27 de abril de 2007
JARDIM BOTÂNICO ¦ Mostra vai reunir orquídeas de vários
Estados
Exposição de plantas raras festeja 10 anos do orquidário
De Crianças e Flores (Crônica Jornalística)
Sylvia Regina Marin
É fantástico o poder de uma criança de três anos sobre os familiares que a cercam! Falo especificamente sobre minha neta: cheia de vida, com a energia a mil (peculiar a esses serezinhos incansáveis), querendo saber o “porque” de tudo e (assombro-me!) contestando algumas verdades até então inquestionáveis, ela é realmente poderosa.
As escolas modernas estimulam o pensamento criativo dos “capetinhas” e eles dão um retorno excepcional. Eu, que sou do tempo em que criança calava a boca quando os adultos falavam, me espanto com a desenvoltura de Beatriz, suas argumentações, às vezes fantasiosas, mas sempre coerentes, e a riqueza de conhecimentos que já possui.
Pois bem, como ela adora as aulas de Ecologia e Ciências Ambientais (juro que, na escolinha, há uma “tia” que ensina essa matéria), resolvi levá-la ao Jardim Botânico no último fim-de-semana, para apreciar a exposição de plantas raras que festejava os dez anos de adoção do Orquidário pelo design de jóias Antônio Bernardo. Confesso que me aproveitei desse pretexto. Eu estava louca para prestigiar o evento e participar de algumas das atividades paralelas, principalmente a oficina de cultivo e o lançamento do livro “Serra dos Órgãos, sua história e suas orquídeas”, de David e Isabel Miller.
Com o verdadeiro clima de outono tendo baixado na cidade, minha idéia não poderia ter sido melhor apreciada. O espetáculo visual e sensorial de uma caminhada pelas aléias do Jardim Botânico foi só o início de uma aventura que teve, como ponto culminante, a chegada à maior exposição de orquídeas já realizada no Rio de Janeiro. Eram dezoito estandes com plantas raras de vários estados: uma verdadeira explosão de cores e formas. Fiquei sabendo que “existem trinta e cinco mil espécies catalogadas e que há muito interesse do mercado internacional em comprar nossas orquídeas, mas a burocracia atrapalha as exportações”...
Eu me pergunto até quando nossos políticos vão persistir, em todos os níveis, a “atrapalhar” a vida do cidadão brasileiro. Até lá, resta-nos o consolo de poder continuar a apreciar a bela natureza com a qual fomos abençoados. E torcer para que, em um futuro próximo, as pequenas Beatrizes de hoje, que correm por entre as flores, sentem seu aroma, e param de vez em quando para gritar: “Vovó, que lindo!”, se tornem cidadãs conscientes, líderes sensíveis, eternamente amantes do que é belo e simples.
Maio de 2007
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