antes que as metáforas entrelacem suas pernas como panteras feito nós quando nos amamos quero dizer que a vida inteira quis um poema de amor pensando em ti mesmo não sabendo que existias eu sou A Hora da Estrela e o que é que estou fazendo aqui se eu devia estar naquela cena onde fico escutando Freud e falo falo falo falo enquanto gozo e as palavras vão se engravidando até o teto como um chão de estrelas isso até me lembra a mocidade independente de padre olivácio e depois vão caindo sobre o meu corpo caindo caindo caindo e elas caem como se fossem folhas secas e me lembra outro samba da mangueira e caem caem caem e vão se alojando pelo íntimo até o mais profundo buraco das entranhas enquanto Federico alisa as minhas coxas e Baudelaire só pensando as suas Flores do Mal mas agora não quero ser Esfinge nem me chamo Macabea minha mãe deixou de ser Clarice e nem quero padre ou mãe que me diga o que devo ou Não fazer meu nome é Ana Beatriz e agora sou.
Lady Gumes
inA aTraição das Metáforas
Retalhos Imortais do Serafim
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