Amigos nem sempre são para sempre - Lucca Pereira

Juliana e Pedro conheceram-se numa festa. Apesar das muitas diferenças entre eles, tornaram-se muito amigos. Moravam distantes um do outro mas sempre davam um jeito de conversar.

Pedro era muito solitário, inseguro e preguiçoso. Vivia reclamando e as pessoas se afastavam dele. Ele não tinha amigos com quem pudesse contar e sentia-se importante por despertar a atenção de uma pessoa como Juliana, sempre requisitada por todos.

Juliana era uma boa pessoa, fonte inesgotável de alegria, extremamente simpática, generosa e sensível com os problemas das outras pessoas. Não se importava em dar demasiada atenção a uma pessoa como Pedro de quem todos fugiam. Os outros lhe diziam que seu amigo era muito problemático. Juliana sorria e apenas respondia:
- Ele não tem alguém que se disponha a escutá-lo e dar-lhe um pouco de carinho.
E Juliana escutava, aconselhava, incentivava. Apontava pequenos erros e o ajudava a melhorar como pessoa, cada dia mais.

Um dia, Juliana dissera algumas coisas engraçadas para animar o amigo e ele gargalhou bastante. Desde que o conhecera, essa era a primeira vez que o ouvia gargalhar. Ao final, ele lhe contara que não se lembrava mais a última vez que gargalhara com tanto prazer. Ao ouvir isso, Juliana exultou de felicidade e teve a certeza de que havia estava no caminho certo para ajudá-lo.

O amigo aos poucos adquiria maior autoconfiança. Tornava-se mais leve e sorridente à medida que diminuía suas inúmeras queixas. Arrumara um emprego e fizera novos amigos. Pedro, sem perceber e, sob a benéfica influencia da amiga, havia se tornando uma pessoa agradável, as pessoas já não sentiam impulso de afastarem-se.

Um dia, Pedro fez uma nova amizade que lhe despertou a atenção. Leila possuía as características de uma pessoa benquista pela sociedade: tinha pele e olhos claros, instrução superior e algumas posses. Pedro sentira-se encantado com a atenção que ela lhe atribuía sendo ele um bronco pobretão. O que ele não sabia, é que por baixo daquela personalidade simpática de Leila, escondia-se um caráter abominável.

Leila invejava a amizade dedicada que o moço nutria por Juliana. A inveja era tanta que decidira fazer de tudo que estivesse ao seu alcance para plantar o ódio entre os dois para que nunca mais quisessem estar perto um do outro. A primeira coisa que tinha a fazer era conquistar a confiança do rapaz.

Pedro, muito bobo e cego pelo interesse que despertava em Leila, foi envolvido por esta de tal forma, que ele nem se lembrava mais das coisas boas Juliana lhe proporcionara. Leila não perdia uma oportunidade de fazer maldades e colocar a culpa na Juliana. Esta, que já havia percebido o jogo de Leila, ouvia pacientemente os ataques grosseiros de seu amigo e tentava buscar alguma solução para os problemas que enfrentavam. Ele, guiado pela mau-caráter, não queria ouvir os conselhos da amiga.

Leila, aproveitando-se da situação a seu favor, tornara-se mais agressiva. Passara a forjar provas e situações até contra si própria, para convencer Pedro de todas as formas sobre sua inocência e assim, jogar de vez todas as culpas sobre Juliana. Pedro fora tão ofensivo com a antiga amiga que esta não vira outra solução a não ser afastar-se definitivamente. Juliana não tivera a menor chance de se defender das acusações do amigo. Estava magoada e sabia que ele também se sentia assim, mas nada lhe restava a fazer.

Alguns anos mais tarde, Pedro sentia que algo não tinha corrido bem, alguma coisa o incomodava mas não percebia o que. Escondido de todos e com uma sensação de culpa que não o abandonava, acompanhava os acontecimentos na vida de Juliana sempre que surgia a oportunidade. Nunca mais conseguira sentir aquele prazer pelas coisas que a antiga amiga lhe passava tão bem.

A moça por sua vez, que não se desvirtuara do caminho correto, pôde seguir sua brilhante caminhada tranqüila. Sentia-se plena e orgulhosa de si mesma, sabia que havia passado por algum tipo de teste universal e que suas ações superaram a própria expectativa. Como que uma vencedora premiada por juízes superiores, novos horizontes se abriram e trouxeram-lhe riquezas inesgotáveis no campo material e espiritual. Extravasava e compartilhava com todos sua alegria e energia. Vivera feliz e morrera deixando amigos que choraram pra sempre, sua ausência.

"Os amigos nem sempre são para sempre, só a amizade é eterna." Lucca E. Pereira

http://geocities.yahoo.com.br/luccaepereira

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