Minha Consciente Revolta - Elida Kronig

Tem horas que fica difícil engolir determinados acontecimentos. Essa história do menino foi aqui pertinho, num lugar que meus filhos e alguns amigos queridos estão sempre passando.

A família do menino mora no mesmo bairro do taxista que foi baleado no dia seguinte porque pediu que os marginais não fizessem mal à sua família (ele estava acompanhado de filhos, esposa, mãe, o irmão e a cunhada). Bairro perto do bairro onde moram meus filhos. O ambiente por aquelas bandas está pesadíssimo, muitas janelas com panos pretos.

Os marginais com o menino sendo arrastado passaram pela Sidôneo Paes, rua que, num dia de semana tem intenso tráfego de veículos e pedestres.

Me diz, exatamente o que eu posso fazer pra mudar isso? Como devo agir e reagir?

O "dimenor" que reabriu a questão da mudança na maioridade tem 16 anos, consciente do que é certo e errado. Dimunuir a maioridade para os dezesseis anos, não vai resolver nada em nossa segurança mas dá um exemplo a outros jovens da mesma idade. Daqui a alguns anos, se nada mudar, talvez entre em discussão baixar a maioridade para os catorze anos. O ciclo talvez se repita para os doze e os dez anos.

Por outro lado, se já é possível que um jovem de dezesseis anos obtenha licença para dirigir e se esse mesmo jovem é considerado apto a votar e colaborar na decisão de um país, por que não pode este mesmo jovem ser considerado apto a responder por seus atos? Vejo a mudança na idade da maioridade como o próximo passo lógico a seguir.

Lembra de quando você completou dezoito anos? Tenho certeza de que uma das frases que você ouviu foi "agora você já pode ser preso". Ouvi isso quando atinji minha maioridade através do casamento e lembro que minha reação foi sentir um frio enregelante na espinha só de imaginar uma coisa dessas me acontecendo.

Alguns defendem que ninguém nasce com ímpeto de marginal, bandido, selvagem - Tenho que discordar. Se não nascemos com esse ímpeto, não seria tão basicamente necessário o amparo familiar, a educação e a cultura. Sem o ímpeto marginal, bandido e selvagem, seríamos pacatos ou pessoas "de bem". Trazendo alguma prova à minha lógica, cientistas já maperam os genes que são responsáveis por tornarem uma pessoa mais violenta ou mais tranqüila. Alguns já começam a defender que a marginalidade é uma doença. Até aonde isso pode ou não ter um fundo de verdade, eu não sei.

Todo animal é selvagem e como animais, mesmo que "racionais", também nos qualificamos como selvagens. O primeiro instinto de um animal é a sobrevivência e a perpetuação da espécie - não aceitamos a morte (por isso inventamos a medicina) e adoramos procriar (fazemos sexo por qualquer motivo).

As adversidades da vida e a dureza da realidade em comunidades carentes, não justifica a opção pela marginalidade. Ou todos que vivem essas mesmas adversidades, seriam marginais. Por conseguinte, todos que possuem algum conforto no dia a dia, não seriam marginais. Temos pessoas de comunidades carentes que enfrentaram muitas dificuldades e tornaram-se vencedores. Temos outros, oriundos de famílias em condições de prover o mínimo com satisfação, cometerem atos criminosos. Não é isso que vemos nos jornais?

Não confio na polícia, confio menos ainda no poder judiciário, nosso sistema carcerário forma marginais mais perigosos e recuperação de preso pra mim é história de carochinha. Defendo pena de morte por achar um absurdo termos tantas outras urgências pendentes e gastarmos uma fortuna pra manter marginal afastado da sociedade. O sistema carcerário nem mesmo consegue ser eficiente nisso.

Se vivemos numa sociedade que se diz organizada devemos pressupor que temos órgãos e pessoas responsáveis por cada área necessária para o andamento correto desta sociedade. Porém, isso não existe no Rio de Janeiro. Temos pessoas? Temos. Temos órgãos? Temos. Tudo no papel apenas, nada funciona. É só pra inglês ver.

Sou contra revoltas armadas e revoluções mas sei que existem momentos que apenas um escândalo parece possuir o efeito de acordar a sociedade, de fazer acontecer a reação necessária ao que está errado e inoperante. Mudar é necessário mas começarão a abrir discussões que irão se prolongar por anos a fio para no final, continuar tudo do jeito que está - ou pior, porque enquanto estão discutindo, não haverá ninguém para tomar as decisões

Apesar-contudo-todavia-mas-porém..... Ainda acredito que o Brasil tem jeito. Ainda prefiro acreditar na Humanidade. Ainda prefiro teimar em manter minha esperança. Só não sei até quando....

 

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Blog da autora: http://elidakronig.blogspot.com

 

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